Comunidade Montanha e Mangabal - Foto de Maurício Torres
Por Telma Monteiro
Sem
palavras para expressar a insanidade contida nos trechos da matéria da Carta
Capital/Jornal CGN sobre as usinas planejadas para o rio Tapajós. Mas vou fazer
um esforço e usar um vocabulário educado para desconstruir essas asneiras ditas
(texto selecionado e entre aspas abaixo) pelo Secretário de Planejamento e
Desenvolvimento do Ministério das Minas e Energia (MME), Altino Ventura Filho.
1.
Errado. Altino Ventura precisa se informar melhor sobre quem são os moradores
da região onde pretendem fazer a tais usinas plataforma. Ele diz que ela não é
habitada. Indígenas em suas terras, comunidades tradicionais como a de Montanha
e Mangabal e Pimental, nas margens do rio Tapajós, não são habitantes ou gente
segundo o critério dele?
2.
Errado. Os conflitos já começaram na região. E ainda nem iniciaram os trabalhos
de preparo das obras para construção das malditas usinas chamadas de
plataformas.
3.
Errado. As implicações ambientais já começaram. Basta lembrar que em abril
deste ano de 2013 a dona Dilma Rousseff assinou uma MP para alterar os limites
das Unidades de Conservação para "facilitar" a licença ambiental das
usinas do Tapajós. Já começou o desmatamento por conta da ocupação e aumento de
pessoas que estão indo em busca de oportunidades que esses empreendimentos
fingem propiciar. A população das comunidades já está reportando a
presença de estranhos como madeireiros, garimpeiros, posseiros.
Vou
parar por aqui, essa primeira parte. (Telma Monteiro)
"No
Tapajós, será a primeira vez que se construirá uma hidrelétrica em região não
habitada. Com isso, se abandonará completamente o modelo de desenvolvimento até
agora padrão, reduzindo as externalidades positivas do empreendimento, mas
também os fatores de atrito com as entidades ambientais."
"O modelo será da usina-plataforma - nome conferido por conta da
semelhança com as plataformas de petróleo."
"Será um empreendimento localizado em ponto bem específico e sem
implicações ambientais. Não será indutora de desenvolvimento regional. Na fase
de construção serão levantadas instalações temporárias, ao contrário do modelo
de vilas operárias, depois transformadas em cidades."

Nenhum comentário:
Postar um comentário