Representantes do
movimento indígena retiram-se de reunião com assessores do Ministério da
Justiça e exigem encontro com o titular da pasta
Por Oswaldo Braga de
Souza*
Cerca de 1,5 mil indígenas protestaram na manhã de hoje (04 de dezembro), em
Brasília, contra a proposta do governo que altera os procedimentos de
demarcação de Terras Indígenas (TI). Eles ocuparam a entrada do Palácio do
Planalto, dançaram e cantaram, dando voltas ao redor do prédio, por
aproximadamente meia hora. Houve uma pequena confusão e dois manifestantes
foram levados ao hospital por terem recebido spray de pimenta.
Depois, a manifestação seguiu para o Ministério da Justiça, onde uma comitiva
de 30 lideranças de todas as regiões do País foi recebida por assessores.
Diante da negativa do ministro José Eduardo Cardozo em recebê-los ainda hoje,
eles exigiram um encontro até sexta e retiraram-se da reunião. A assessoria da
pasta não confirmou se o encontro acontecerá.
A mobilização acontece depois de o movimento indígena ter tido acesso à proposta
do ministério, que cria uma série de entraves burocráticos, os quais, na
prática, deverão impedir novas demarcações (saiba mais).
“O posicionamento dos
povos indígenas do Brasil é pela rejeição total da proposta da portaria. O que
tem de se fazer é cumprir o que já está garantido pelo Decreto 1.775 [que
regulamenta atualmente da demarcação]”, disse Sônia Guajajara, da Articulação
dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). “A intenção da portaria é inviabilizar e
impedir a demarcação de TIs no País”, criticou. Ela afirmou que o movimento
indígena não aceita negociar o texto da proposta.
“Contrariamente às
alegações do governo, a dita portaria eterniza a não demarcação de terras
indígenas, fragiliza por vez a Funai [Fundação Nacional do Índio], e desenha um
quadro assustador de acirramento de conflitos”, diz trecho da nota da
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) entregue no Planalto e no
ministério (leia o
arquivo).
O protesto também pediu a revogação da Portaria 303, da Advocacia-Geral da
União (AGU), e o arquivamento da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215 e
do Projeto de Lei Complementar (PLP) 227, que tramitam no Congresso. Todos
pretendem dificultar as demarcações.
*Fonte: ISA -
Fotografias: Oswaldo Braga de Souza

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