Luana
Lila
Desmatamento na região de
Itaituba (© Greenpeace/Marizilda Cruppe)
Nove
terminais fluviais estão previstos no rio Tapajós, no Oeste do Pará, para o
escoamento de grãos produzidos no Centro-Oeste do Brasil. Mas, segundo David
Leal, secretário da Indústria, Comércio e Mineração do Pará, afirmou em
reportagem recente do jornal Valor Econômico, não há nada – nem mesmo um plano de
ação – previsto para mitigar os impactos ambientais e sociais que deverão ser
causados pelas construções.
A
criação de uma nova rota para escoar a produção agrícola da região será
plenamente viabilizada após a conclusão do asfaltamento da BR-163, cuja área de
influência foi uma das mais impactadas pelo aumento de 28% do desmatamento na
Amazônia, divulgado no último balanço anual do governo.
“Esse
empreendimento é parte de uma onda de projetos de infraestrutura previstos na
Amazônia. O problema é que eles são implementados sem planejamento e cuidado
com os impactos sócio-ambientais que causam. Os terminais, por exemplo,
provavelmente vão acabar saindo mesmo sem o plano de ação, o que é um absurdo.
Como o município vai lidar com o crescimento populacional causado pelas obras,
ou o aumento do desmatamento que deverá ser provocado pela especulação de
terras?” pergunta Romulo Batista, da Campanha Amazônia do Greenpeace.
Os
terminais serão construídos em Miritituba, distrito de Itaituba, município
que tem 73% da área territorial ainda preservada, de acordo com dados da
Secretaria de Meio Ambiente local. A nova rota levará a carga de grãos -
principalmente a soja - de caminhão pela BR-163 de Mato Grosso até Miritituba e
de lá seguirá pelo rio Tapajós rumo a diferentes portos da região, e depois
para o exterior.
O
investimento total do empreendimento deve ser de mais de 1 bilhão de reais. No
ano passado, a Atap, Associação dos Terminais Privados do Rio Tapajós, que
representa as empresas interessadas, entre elas a Bunge e a Cargill, fechou um
acordo com a Prefeitura de Itaituba para pagar R$ 12 milhões como compensação
social.
“Sem
o plano de ação, esse dinheiro causará poucos benefícios... Faltam planejamento
e fiscalização do Estado na realização de obras que mudarão completamente o
perfil dos municípios afetados. Trata-se da reprodução de um modelo de
desenvolvimento predador, que causa o aumento do desmatamento na Amazônia”, afirma
Batista.

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