As usinas-plataforma do rio Tapajós
Há muita incompreensão sobre
a influência das hidrelétricas no meio ambiente, especialmente em regiões pouco
desenvolvidas
por Luis Nassif
As exigências de respeito ao
meio ambiente vieram para ficar. Nenhuma obra pública ou privada poderá
desconhecer essa realidade. Mas há muita incompreensão sobre a influência das
hidrelétricas no meio ambiente, especialmente em regiões pouco desenvolvidas,
como no norte do país.
A opinião é de Altino Ventura
Filho, Secretário de Planejamento e Desenvolvimento do Ministério das Minas e
Energia (MME) e um dos mais experientes técnicos do setor, durante o seminário
"As hidrelétricas da Amazônia e o meio ambiente", promovido pelo
Jornal GGN (www.jornalggn.com.br).
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Por outro lado, 35% do
potencial hidrelétrico brasileiro estão na região norte, localizados nos rios à
margem direita do rio Amazonas, começando pela fronteira, com o
Tocantins-Araguaia. Tem o Xingu, onde se encontra a usina de Belo Monte; o
Madeira, com as usinas de Jirau e Santo Antonio; e o Tapajós, a maior aposta.
Só agora se está iniciando o
aproveitamento do potencial hidrelétrico do norte. Até agora foram explorados
apenas 5%, contra o aproveitamento quase total do potencial das demais regiões
brasileiras. Sem uma exploração adequada e racional do potencial do norte, não
haverá espaço para a expansão hidrelétrica brasileira.
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Não se pode comparar uma
hidrelétrica com outras formas de energia, pela razão de que ela é muito mais
do que um projeto de energia. Historicamente foram ferramentas de
desenvolvimento social e regional, proporcionando benefícios às populações
residentes.
Para compensar o fim das
obras e a desmobilização dos trabalhadores, foram concebidas como projetos de
desenvolvimento, ajudando na urbanização, na criação de condições econômicas
para os municípios no entorno, como foi o caso de Urubupungá, Ilha Solteira,
Jupiá. Os lagos formaram praias, forneceram água limpa, permitiram lazer,
navegação, pesca, abastecimento, permitindo novas atividades econômicas, como a
agricultura, pecuária e serviços.
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No Tapajós, será a primeira
vez que se construirá uma hidrelétrica em região não habitada. Com isso, se
abandonará completamente o modelo de desenvolvimento até agora padrão,
reduzindo as externalidades positivas do empreendimento, mas também os fatores
de atrito com as entidades ambientais.
O modelo será da usina-plataforma
- nome conferido por conta da semelhança com as plataformas de petróleo.
Será um empreendimento
localizado em ponto bem específico e sem implicações ambientais. Não será
indutora de desenvolvimento regional. Na fase de construção serão levantadas
instalações temporárias, ao contrário do modelo de vilas operárias, depois
transformadas em cidades.
As instalações ficarão
restritas ao entorno das usinas,, possivelmente na área do futuro reservatório.
Não serão abertas rodovias de acesso, com seu potencial de devastação. A
construção das linhas de transmissão usará o rio para o transporte.
Terminada a construção, todas
as instalações serão desmobilizadas, as condições naturais locais serão
recompostas e as áreas adquiridas transformadas em parque nacional.
Na operação, haverá o mínimo
de presença humana. Se automatizará o máximo, o transporte possivelmente será
por helicópteros.
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