Fonte: Valor Econômico
11/02/2014
Mesmo com a dificuldade
recente para a emissão de licenças ambientais para hidrelétricas, o governo
federal pretende oferecer um cardápio de nove usinas do tipo nos leilões de
energia deste ano. Os projetos somam pouco mais de 8,5 mil megawatts (MW) de capacidade
instalada, volume superior ao da hidrelétrica de Tucuruí, de 8,370 mil MW, a
segunda maior do país.
O presidente da Empresa de
Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, admite que pode não ser
possível licitar todas essas usinas em 2014. Pela regra, os empreendimento só
podem participar do leilão se tiverem a licença ambiental prévia emitida anteriormente.
"Este ano, em termos de
hidrelétricas, estamos fazendo um cardápio grande. É claro que a gente não acha
que vai conseguir colocar todas elas no leilão, mas existe alguma perspectiva
para essas usinas", disse Tolmasquim ao Valor PRO, serviço de
informação em tempo real do Valor.
Em 2013, o governo conseguiu
licitar apenas duas novas hidrelétricas: São Manoel (700 MW) e Sinop (400
MW), ambas no rio Teles Pires (MT). Das novas hidrelétricas, apenas uma já
possui a licença. É a usina de Itaocara, de 145 MW, no Rio. A concessão da
usina foi devolvida à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pela Light e
Cemig, porque a licença ambiental de instalação foi emitida apenas dez anos
depois do início da concessão. Com isso, o período para a arrecadação de
receita com a hidrelétrica foi reduzido bruscamente.
O projeto que tem concentrado
o maior esforço do governo é o da hidrelétrica de São Luiz do Tapajós, no
rio Tapajós (PA). A configuração atual do empreendimento prevê capacidade
instalada de 7,61 mil MW, o que o coloca entre as maiores usinas do país.
"Ganhou uma certa velocidade a possibilidade de ser leiloada este ano. É a
grande prioridade do setor", disse Tolmasquim.
Devido ao porte da usina, a
ideia do governo é fazer um leilão específico para São Luiz do Tapajós. Já as
outras usinas devem ser incluídas em um mesmo leilão, do tipo A-5, que negocia
contratos com início de fornecimento dentro de cinco anos. Os dois leilões
devem ocorrer apenas no segundo semestre.
Entre as outras usinas que o
governo pretende oferecer, cinco estão localizadas no Paraná, sendo quatro na
bacia do rio Piquiri. No Sudeste e Centro-Oeste, o governo pretende leiloar a
usina de Davinópolis, entre Minas Gerais e Goiás. E, no Norte e Nordeste, o
governo tentará novamente ofertar a usina de Ribeiro Gonçalves, de 113 MW, no
rio Parnaíba (PI-MA). O projeto já foi a leilão em 2012, mas não atraiu o
interesse dos investidores.
Além das nove hidrelétricas,
o presidente da EPE informou ainda que está prevista a inclusão da expansão da
hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira (RO), nos leilões deste ano. A
expectativa é que essa expansão proporcione mais 439 MW de potência ao sistema.
A usina, que ainda está em construção, foi projetada inicialmente para gerar
3.150 MW.
O consórcio Santo Antônio
Energia, dono da hidrelétrica, é formado por Odebrecht, Furnas, Cemig, Andrade
Gutierrez e Cai xa FIP Amazônia Energia. Procurado pelo Valor, o consórcio
não informou quantas máquinas já estão em operação, nem a capacidade do projeto
até o momento.
O presidente também confirmou
que está em estudo a possibilidade de realizar um leilão específico para a
energia solar este ano. O tema está sendo avaliado pela EPE. Alguns projetos do
tipo participaram dos leilões de energia de 2013, porém não arremataram
contratos por terem preço de energia mais caro que o dos demais concorrentes,
principalmente os parques eólicos.
Com relação às eólicas,
Tolmasquim afirmou que duas estações de conexão ao sistema, construídas pela
Chesf no Nordeste, entrarão em operação em fevereiro. As unidades permitirão a
viabilização de mais de 600 MW de potência de usinas eólicas na região, que já
estavam prontas mas não tinham como escoar energia para o sistema.
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