Hidrelétricas de Rondônia
teriam pago propina para deputados votarem perdão fiscal, diz Valter Araújo
REVELAÇÕES CRIMINOSAS
Vazaram as primeiras
informações referente a delação premiada de políticos, empresários, servidores
públicos presos e envolvidos em operações policiais e investigações dos
Ministérios Públicos Federal e Estadual.
O jornal eletrônico Painel
Político teve acesso ao teor de ações judiciais onde o ex-presidente da Assembleia
Legislativa de Rondônia, Valter Araújo, em depoimento de aproximadamente cinco
horas, revelou ao Ministério Público Federal o suposto funcionamento de um
esquema de pagamento de propina que teria rendido cerca de R$ 1 milhão para
deputados. (Foto - Gilmar de Jesus).
Os valores seriam destinados
para políticos votarem a favor do projeto de lei que perdoa dívidas estaduais
dos empreendimentos hidrelétricos de Jirau e Santo Antônio. A declaração de
Araújo teria sido feita para Reginaldo Pereira Trindade, procurador geral da
república.
O dinheiro da propina chegou
a ser transportado por um deputado na carroceria de sua camionete. A primeira
parcela do pagamento foi de R$ 500 mil, mas um intermediário da negociação,
descontou R$ 37 mil. Dois deputados não teriam participado inicialmente do
esquema: o próprio delator, e Hermínio Coelho (PSD), atual presidente da
Assembléia Legislativa.
Interceptações telefônicas
realizadas pela Polícia Federal, há três anos durante uma operação policial já
antecipavam negociações envolvendo valores altos em dinheiro.
Escuta ambiental no carro de
Rafael Santos, um assessor de Valter Araújo, indicava diálogos para
transferência de valores e pagamento de uma camionete de uma cooperativa de
crédito na cidade de Pimenta Buento (RO).
Segundo o jornal eletrônico,
a isenção de impostos seria de aproximadamente R$ 600 milhões naquele ano. Um
então secretário de fazenda de Confúcio Moura, governador de Rondônia, levantou
a suspeita que Valter Araújo teria sido beneficiado com até R$ 10 milhões do
acordo com as hidrelétricas.
Também teriam feito uso da
delação premiada: Alberto Ferreira Siqueira (Beto Bába), Fernando Braga Serrão
(Fernando da Gata) e o ex-secretário adjunto de Saúde de Confúcio Moura (PMDB),
José Batista das Silva.
ISENÇÃO IMPOSTOS – O
projeto de lei de autoria do Governo de Rondônia previa isenção de até R$ 1
bilhão em Impostos sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), nas operações de
aquisições interestaduais de mercadorias para emprego na construção e de bens
para as empresas vinculadas à construção das Usinas Hidrelétricas e das linhas
de transmissão relacionadas às Usinas de Santo Antônio e Jirau.
Segundo a Lei, estavam
isentas do ICMS as importações de máquinas, aparelhos, equipamentos, suas
partes e peças e outros materiais, sem similar nacional. Desembargadores do
Tribunal de Justiça, entenderam que havia vício formal e material na edição da
lei, por julgaram a inconstitucionalidade.
Os descontos propostos pela
lei eram de não pagamento de até 92,31% do imposto devido.
MANOBRA POLÍTICA – Os
deputados estaduais Edson Martins (PMDB), e Kaká Mendonça (PTB), ambos do bloco
governista, foram os responsáveis pela articulação política na Assembléia
Legislativa para que o projeto de lei de isenção de impostos para as
hidrelétricas fosse aprovado. Os deputados agiam em acordo com o Confúcio
Moura, governador, e a bancada aliada inclusive do Congresso Federal.
Edson e Kaká fizeram manobras
para impedir que Hermínio Coelho (PSD), Euclides Maciel (PSDB), Epifânia
Barbosa e Cláudio Carvalho (PT) pedissem vistas da lei ou votassem contra o
perdão fiscal.
"As Usinas, mais uma
vez, estão sendo beneficiadas em detrimentos dos pequenos. Os danos ambientais
e sociais causados pelas Usinas a Rondônia não estão sendo levados em conta.
Por isso, sou contra este projeto", disse Hermínio Coelho na época.
DIREITOS POLÍTICOS CASSADOS -
Valter de Araújo Gonçalves, foi condenado a sete anos de prisão a ser cumprida
em regime semiaberto e teve os direitos políticos cassados, e, agora reaparece
como "salvador da pátria". Procurado até pela Interpol, ele foi preso
várias vezes, mas conseguiu liberdade em corte superior.
Valter de "santo"
não tem nada, e pode ter entregado apenas um terço de seus desafetos pensando
numa futura campanha política e mais acordos escusos de seu interesse.
O ex-deputado foi denunciado
(crime de corrupção ativa) por oferecer R$ 60 mil em dinheiro a deputada
Epifânia Barbosa da Silva, para que mudasse sua posição na votação de projeto
de lei, de interesse de empresários ligados ao ramo turístico.
Segundo consta nos autos, o
ex-presidente não agia como agente público, mas como particular, tendo em vista
o favorecimento de um grupo específico. Em sua defesa, o ex-parlamentar alegou
que se tratava de um empréstimo, porém, as interceptações demonstram todo o
cuidado que ele tinha para não ver desvendado a sua empreitada criminosa.
Araújo foi apontado como
líder de uma quadrilha que desviou mais de R$ 60 milhões dos cofres públicos. O
esquema foi descoberto durante a operação Termópilas realizada pelo Ministério
Público de Rondônia, em conjunto com a Polícia Federal em novembro de 2011.
O bando supostamente liderado
por Araújo, usava laranjas em empresas que prestavam serviço para o Estado e
Assembléia Legislativa e agia "loteando" licitações e contratos
mediante corrupção e tráfico de influência. Dos oito deputados envolvidos
apenas Araújo foi preso e condenado.
Agência Vanguarda, não obteve
retorno das tentativas de contato com Jirau e Santo Antônio, as duas usinas
hidrelétricas instaladas em Rondônia. Também foram solicitadas informações do
MPE e MPF.
Fonte: Gazeta de Rondonia

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